Soultura Não Apaga Detenção E Euforia Partidária Não Substitui Documento

 Ramagem foi solto nos EUA. E a claque bolsonarista entrou naquela fase previsível em que troca análise por taquicardia e confunde saída de custódia com absolvição celestial.

Calma. Houve detenção pelo ICE, houve soltura posterior e houve, no meio disso, a mesma coreografia de sempre: primeiro vendem perseguição, depois vendem milagre e por fim agradecem a Trump como se patriotismo de extrema direita fosse sempre isso mesmo - joelho em terra diante de poder estrangeiro. A Reuters informou a soltura e observou que Ramagem deixou de aparecer na base de detidos do ICE, mas também registrou que o status migratório dele seguia sem esclarecimento público.


Portanto, não houve o desfecho épico que os devotos estão tentando contrabandear para dentro da realidade. O que houve foi mudança de capítulo. A hipótese migratória continua forte; o pedido brasileiro de extradição continua existindo; e a soltura, até agora, não veio acompanhada de documento público que transforme o enredo em vitória jurídica limpa e gloriosa.


O mais engraçado é o patriotismo dessa gente. Passaram anos berrando soberania, ordem, autoridade e linha dura. Bastou um aliado cair na engrenagem migratória americana para virarem comentaristas delicados de status imigratório, devido processo e garantias individuais. Para os outros, porrete; para os seus, semântica.


No fim, sobra o retrato moral de sempre: valentia para consumo doméstico, fuga quando a conta chega e gratidão emocionada ao padrinho estrangeiro da vez. Soltura não apaga detenção. E euforia partidária não substitui documento.

    Julio Benchimol Pinto

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