Flavio Bolsonaro Chamou A Senadora Tereza Cristina de Vozinha

 

Não foi só cafona; foi também politicamente revelador.


Um homem adulto, que faz campanha vendendo a fantasia permanente do garotão de camiseta e performance juvenil, resolveu tratar desse modo uma senadora da idade do pai dele, ex-ministra, figura de peso do agro e dona de uma estatura política que ele evidentemente não tem. Logo ela, que já deixou claro que ser vice dele não está nos planos.


O mais engraçado é que o bolsonarismo vive disso: tenta posar de força imbatível, mas tropeça na própria encenação; quer parecer poder, mas frequentemente entrega descompasso, improviso e arrogância; tenta seduzir o centro chamando uma liderança respeitada de vozinha; tenta vender autonomia, enquanto todo mundo sabe que, naquele condomínio político-familiar, decisão relevante passa antes pelo pai e pelo síndico partidário.


Valdemar elogia, Flávio acena, Tereza resiste, Jair paira por cima como dono do tabuleiro e o país assiste a mais uma demonstração de que, no bolsonarismo, até a articulação de uma vice consegue sair com a delicadeza institucional de um carrinho de supermercado despencando escada abaixo.


Confesso uma gratidão cívica involuntária por essa gente ser tão estabanada. Ainda bem. Porque, se fossem mais inteligentes, mais disciplinados e mais eficientes na execução de seus impulsos autoritários, talvez nem estivéssemos aqui ironizando suas grosserias, suas infantilidades e sua costumeira inaptidão política. Talvez estivéssemos, isto sim, contando os restos da democracia depois de um golpe bem-sucedido.


No fim, nisso o país deve alguma coisa à incompetência deles. São perigosos, sim, mas, felizmente para o Brasil, também são desenxabidos.

      Julio Benchimol Pinto

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