Trump Resolveu Lembrar ao Mundo, em Voz Alta, como Funciona o Seu Ecossistema

 Trump resolveu lembrar ao mundo, em voz alta, como funciona o seu ecossistema: usa, humilha e descarta.

A vítima da vez foi Tucker Carlson, um dos maiores megafones do trumpismo, espécie de padre eletrônico da direita radical americana, que passou anos embalando paranoia, ressentimento e delírio geopolítico para consumo de massa.

Agora levou de Trump o tratamento que tantos outros já levaram: QI baixo, inconveniente, ignorante, chato que liga demais e não merece nem ser atendido.

A cena seria apenas cômica se não fosse reveladora. Não estamos vendo uma briguinha de celebridades da extrema direita. Estamos vendo uma fissura dentro do próprio trumpismo, e por causa de um tema pequeno como uma bomba: Irã, guerra, escalada militar, caos internacional.


Tucker resolveu posar de prudente; Trump resolveu posar de macho. Um acusa o risco de catástrofe; o outro responde chamando o sujeito de idiota. Eis a profundidade estratégica desse pessoal que vive fantasiado de civilização ocidental em defesa própria.


Isso interessa, sim, ao Brasil. Nossa extrema direita passou anos importando dessa usina americana não apenas palavras de ordem, mas método, estética, impostura e burrice. Tucker foi um dos seus grandes mascates; Trump, o dono da feira.


No fim, o que aparece é o retrato perfeito do trumpismo: uma máquina de inflar egos, explorar medos e vender força para esconder descontrole. Quando a realidade aperta, o oráculo vira estorvo e o chefe volta ao seu idioma nativo: a grosseria.


O ventríloquo cansou do boneco. E o boneco descobriu, tarde demais, que no circo trumpista até os fiéis são tratados como palhaços descartáveis.

   Julio Benchimol Pinto

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