O Escândalo do Banco Master
O escândalo do Banco Master não começou quando Daniel Vorcaro foi preso; começou bem antes, na porta de entrada.
Em 2019, o Banco Central barrou a entrada de Vorcaro no Banco Máxima, depois rebatizado Banco Master. O motivo era grave: dúvidas sobre capacidade financeira e origem dos recursos usados na aquisição.
Meses depois, já sob Roberto Campos Neto, o mesmo Banco Central mudou de posição e liberou a operação.
Pronto. É aí que mora o elefante no cofre.
Ninguém sério precisa afirmar, sem prova, que Campos Neto cometeu ilícito. Mas também ninguém sério pode fingir que esta pergunta não existe: o que mudou entre o veto e a autorização?
O banco que antes despertava dúvidas regulatórias virou, depois, uma máquina de crescimento alucinante. Captou bilhões, ofereceu CDBs agressivos, embalou risco privado com a almofada psicológica do FGC e acabou numa liquidação bilionária. Quando a música parou, sobrou a pergunta de sempre: quem dançou, quem lucrou e quem ficou com a conta?
Agora o BC decidiu liberar os documentos do processo que permitiu a Vorcaro assumir o Máxima/Master.
Ótimo. Porque este caso não pode ser tratado como acidente bancário, azar de mercado ou travessura de financista criativo. Quando uma operação vetada vira operação autorizada, e depois desemboca num desastre de dezenas de bilhões, o país tem o direito de saber quem assinou, com base em quê, depois de que mudança e diante de quais alertas.
O Banco Master não nasceu do nada; nasceu de uma autorização. E autorização, em República, não é sacramento secreto; é ato público; deve explicação.
Julio Benchimol Pinto



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