A Vaga é no STF, Mas o Palco é o Senado

 Jorge Messias chega hoje à sabatina no Senado com currículo, relatório favorável e um problema tipicamente brasiliense: precisa provar saber jurídico diante de uma plateia que está negociando poder.

A vaga é no STF, mas o palco é o Senado de Davi Alcolumbre, que entrou irritado depois da história do encontro na casa de Cristiano Zanin. Em Brasília, até cumprimento em sala de estar vira peça de xadrez. E, quando Alcolumbre se irrita, a temperatura institucional sobe sem que ninguém precise levantar a voz.


O governo, percebendo o risco, fez o que governos fazem quando descobrem que a aritmética está apertada: trocou peças na CCJ. Sai Sérgio Moro, voto contrário; entra Renan Filho. Sai Cid Gomes, indefinido; entra Ana Paula Lobato. A conta passou a dar 16 votos, dois acima do mínimo. Em português claro: aprovação provável, tranquilidade nenhuma.


Depois vem o Plenário, onde Messias precisará de 41 senadores. O Senado quase nunca rejeita indicado ao Supremo. A última leva de recusas é de 1894. Ou seja: para barrar Messias, seria preciso ressuscitar Floriano Peixoto, Barata Ribeiro e uma coragem institucional que anda desaparecida desde a República Velha.


Mas o ponto mais importante está fora da cadeira do indicado.


Na mesma semana, o Congresso discute a chamada dosimetria dos condenados pela trama golpista e pelo 8 de janeiro. A oposição quer aliviar penas. O governo diz que resiste. O STF está desgastado. O Senado cobra sua fatura. E, no meio de tudo, a indicação ao Supremo vira moeda de pressão.


É aí que mora o perigo.


A sabatina de Messias não é só sobre Messias. É sobre o tamanho do Supremo depois do 8 de janeiro. É sobre o quanto o Senado quer cobrar do governo. É sobre até onde se pretende empacotar “pacificação” como nome bonito para impunidade seletiva.


Em Brasília, quando todo mundo fala em pacificação, convém conferir se não estão apenas passando lustra-móveis no golpe.

  Julio Benchimol Pinto

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