PEC da Escala 6x1

 Propostas que andam e propostas que não andam no Congresso. E dá pra ver, sem lupa, quem tem passe livre e quem tem tornozeleira invisível.

A PEC do fim da escala 6×1 chegou com cheiro de vida real: menos exaustão, mais domingo, mais gente vivendo fora do relógio do patrão. A reação foi instantânea. Valdemar Costa Neto, presidente do PL, chamou de bomba para o país; Antônio Rueda, presidente do União Brasil, avisou que vai segurar nas comissões e empurrar para depois das eleições, porque votar contra pega mal, mas deixar andar pega pior. A tradução é simples: quando a pauta é popular, a tática vira atraso.  


Agora compare com as pautas que andam com patins. Orçamento de 2026: aprovado com cerca de R$ 61 bilhões reservados para emendas parlamentares e com Fundo Eleitoral na casa de R$ 5 bilhões. Isso não enfrenta CCJ, não sofre “prudência”, não precisa “debate maduro”. Isso tem fila preferencial, carimbo e tapete vermelho, porque fortalece a máquina política por dentro e abastece campanha com dinheiro público por fora.  


E tem a pauta do autoperdão disfarçado de técnica: o PL da dosimetria, que mexe no cálculo de penas do 8 de janeiro, foi aprovado no fim de 2025 e só parou porque Lula vetou integralmente em janeiro de 2026; desde então, a articulação para derrubar o veto virou agenda de bastidor. Quando o assunto é aliviar a vida de gente grande, a engrenagem aprende a correr.  


Moral nenhuma, só um mapa: o que melhora a vida do trabalhador avança “devagar, com responsabilidade”; o que protege político e lubrifica corporação, anda com urgência, relator animado e votação sorrindo. O Congresso não é lento; ele só tem preferência.


      Júlio Benchimol Pinto

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