A CPMI do INSS Resolveu Hoje Fazer o que o Brasil Faz de Melhor: Investigar aos Gritos
Em meio a empurra-empurra, dedo em riste e cena digna de sessão da Câmara dos anos 90, aprovaram a quebra de sigilo bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Votação em bloco, base chiando, oposição vibrando e a comissão que deveria apurar fraude previdenciária virou ringue político em horário nobre.
Vamos separar as coisas, porque misturam tudo de propósito.
Quebrar sigilo não é condenar ninguém, é instrumento de investigação. CPMI tem poder para isso, desde que haja fundamentação mínima e objeto delimitado. Se há indícios, que se apurem; se não houver nada, que se diga com todas as letras e se arquive. Processo sério não teme holofote; quem teme é quem prefere narrativa.
O que chama atenção não é a quebra em si, é o teatro. Quando a investigação vira espetáculo, o objetivo deixa de ser prova e passa a ser manchete. E manchete, no Brasil polarizado, vale mais do que relatório final.
A oposição quer carimbar o sobrenome antes da perícia. A base quer blindar antes da leitura. No meio, a Previdência - essa sim assaltada há anos por quadrilhas profissionais - assiste ao Congresso brigar como se fosse torcida organizada.
Se houver envolvimento, que responda; se não houver, que fique claro. Estado de Direito não funciona por sobrenome nem por grito.
Mas convenhamos: CPMI que termina em pancadaria ajuda pouco a esclarecer qualquer coisa. Serve mais para alimentar clipe de rede social do que para produzir prova técnica.
No Brasil de 2026, investigar virou performance. E performance, todo mundo sabe, não exige verdade, exige plateia.
Julio Benchimol Pinto



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