Brasil Acima de Tudo, Mas, Se Possível, Com A Família Inteira Na Chapa,
A política brasileira é uma caixa de surpresas. Algumas vêm com sobrenome.
A ex-veradora Rogéria Bolsonaro será primeira suplente na chapa ao Senado de Marcio Canella. A reunião foi conduzida pelo presidenciável Flávio Bolsonaro, filho dela. E, como se fosse pouco, o 02 também mira o Senado por outro estado. O 03 já tentou seu voo próprio. O patriarca segue como farol moral da narrativa.
É o que se chama de empreendedorismo familiar.
Durante anos ouvimos discursos inflamados contra dinastias políticas, contra “as mesmas famílias de sempre”, contra o sistema que se perpetua. Agora o sistema parece ter aprendido o sobrenome certo para se perpetuar.
Nada ilegal. Nada proibido. Apenas a boa e velha política brasileira funcionando como ela sempre funcionou: costura aqui, suplência ali, candidatura acolá. Só que com um detalhe curioso: quando é com os outros, chama-se oligarquia; quando é com os nossos, chama-se missão.
A extrema direita que prometeu refundar a República descobriu que hereditariedade continua sendo um ativo eleitoral bastante competitivo.
Brasil acima de tudo, mas, se possível, com a família inteira na chapa.
Julio Benchimol Pinto



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