Israel Não Entra Em "alerta máximo" Por Capricho
Quando o Home Front Command israelense ativa protocolos, quando diplomatas europeus mandam seus cidadãos deixarem Teerã, quando porta-aviões americanos mudam de rota e caças pousam mais perto do Golfo, não estamos diante de retórica de Twitter; estamos diante de cálculo.
A região vive uma daquelas horas em que todo mundo finge negociar enquanto posiciona peças: Washington pressiona e desloca força; Jerusalém se prepara para a retaliação antes mesmo do primeiro disparo; Teerã aperta o controle interno, fecha internet, vigia funerais, fala em infiltração estrangeira; a Europa recolhe seus passaportes e observa com a respiração contida.
Ninguém anuncia guerra, mas todos ensaiam o cenário. O risco não está apenas no míssil que pode subir; está no erro de leitura, na reação desproporcional, na decisão tomada sob pressão política doméstica. Conflitos grandes raramente começam com declaração solene; começam com “janela estratégica”, “preparo defensivo”, “medida preventiva”.
Israel sabe que, se houver ataque americano, a resposta pode vir por Hezbollah, por drones, por mísseis, por Ormuz. Os EUA sabem que um strike cirúrgico pode virar campanha prolongada. O regime iraniano sabe que confronto externo fortalece sua narrativa interna. Cada ator acredita estar agindo racionalmente.
E é justamente aí que mora o perigo. Entre cálculo e convicção ideológica, a linha é fina. Quando líderes começam a falar em inevitabilidade, a história costuma acelerar.
O mundo olha para o Golfo; O petróleo reage; as embaixadas esvaziam; e, no meio disso tudo, milhões de civis - israelenses, iranianos, libaneses - vivem sob a sombra de decisões que não tomam.
Alerta máximo não é manchete dramática; é sintoma de um tabuleiro que ficou estreito demais para tanto ego armado.
Escritor e advogado Julio Benchimol Pinto



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