Direita Democrática Vence Para Governar; Direita Iliberal Agita Para Tensionar o Sistema
Enquanto a extrema direita iliberal tropeça onde precisa ganhar - no voto majoritário e no segundo turno -, a direita conservadora clássica avança onde sempre avançou: dentro das regras.
No Japão, Sanae Takaichi venceu com folga. Não no grito, não no ressentimento, não na guerra cultural. Venceu organizando maioria parlamentar, ampliando base, respeitando o rito institucional. O Partido Liberal Democrático garantiu supermaioria na câmara baixa: força suficiente para governar, negociar e - se quiser mudar a Constituição - submeter-se ao que a democracia exige: referendo popular.
Repare no contraste. Aqui não há “varrer o inimigo”, nem acusação preventiva de fraude, nem discurso de cerco. Há direita, sim. Conservadora, nacional, tradicional. Mas liberal no método, institucional no comportamento, limitada pela Constituição e pelo eleitor.
Isso importa porque desmonta uma confusão deliberada: nem toda vitória da direita é vitória do autoritarismo. E nem todo discurso de “direita avançando no mundo” fala da mesma coisa. O Japão mostra o oposto do que a extrema direita vende como inevitável: é possível governar à direita sem corroer a democracia.
Por isso os aplausos transnacionais não vão para Tóquio. Não há culto ao líder, não há ruptura, não há espetáculo. Há política adulta, e isso não viraliza entre quem precisa de inimigos permanentes para existir.
A diferença é simples e brutal: direita democrática vence para governar;
direita iliberal agita para tensionar o sistema.
O Japão escolheu a primeira. E fez isso com maioria, regra e voto.
Credito: Escritor e advogado Julio Benchimol Pinto



Comentários