Campanha Será Dura e Que Não Haverá Complacéncia Com Fake Newy

 Muita gente gritou “contradição” nos últimos dias ao olhar para Luiz Inácio Lula da Silva. De um lado, articulação com Centrão, conversa com PP, União Brasil, Republicanos, PSD. De outro, discurso inflamado falando em “guerra”, fim do “Lulinha paz e amor” e combate duro à desinformação. Para alguns, esquizofrenia política. Para quem entende minimamente de poder, duas cenas distintas do mesmo jogo.

No Congresso, o que existe é aritmética. Governo sem maioria não governa. Em sistema fragmentado, ano pré-eleitoral, ninguém aprova nada só com virtude e bons sentimentos. Conversar com o Centrão não é conversão ideológica, é gestão de risco institucional. Lula faz o que qualquer presidente experiente faria: tenta ampliar a base ou, no mínimo, evitar que ela vire trincheira da oposição em 2026.


Já o discurso público é outra arena. Ali não se conta voto parlamentar, conta-se energia política. Quando Lula fala em “guerra”, não está convocando tanques; está nomeando o ambiente real da disputa: desinformação organizada, redes como campo de batalha, narrativa como arma. É metáfora eleitoral, não plano militar. Serve para mobilizar base, sinalizar que a campanha será dura e que não haverá complacência com fake news.


Misturar as duas coisas é erro ou má-fé. Bastidor é pragmatismo frio. Palanque é linguagem quente. Um busca maioria institucional; o outro, maioria social. Não há incoerência aí. Há leitura correta de contexto.


Quem finge não entender costuma ter interesse em confundir. Política não é pureza moral nem performance permanente; é, antes de tudo, capacidade de operar em camadas diferentes sem perder o controle do tabuleiro.

Credito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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