A Novela Promete. Pipoca Liberada

 Tem algo de profundamente comovente no bolsonarismo quando ele descobre… a política.

O senador Flávio Bolsonaro aparece bem nas pesquisas e já se imagina candidato natural, ungido por herança genética. O problema é que o partido não é um grupo de WhatsApp da família. O PL tem dono, CNPJ e presidente. E o presidente atende pelo nome de Valdemar Costa Neto.


A irritação começou porque Carlos Bolsonaro avisou que o pai estava preparando uma listinha de candidatos para os estados. Uma espécie de cardápio eleitoral personalizado. Só faltou mandar plastificar.


Valdemar reagiu com a delicadeza de quem lembra que partido político não é capitania hereditária. Disse que todo mundo pode sugerir nomes. Tradução: “Calma lá, monarquia”.


E então entra em cena Nikolas Ferreira, ironizando Eduardo. O fogo amigo vira churrasco completo. A família que gritava contra o sistema agora descobre que o sistema também tem hierarquia interna, vaidade, disputa por poder e - pasmem - autonomia partidária.


É curioso: durante anos venderam a ideia de liderança incontestável, lealdade incondicional e partido orgânico em torno do clã. Bastou surgir a hipótese de alguém fora da família ter influência real para o discurso virar teoria da conspiração.


Quando a política é dos outros, chama-se fisiologismo. Quando não é da família, chama-se traição.


No fim, a tensão revela algo simples: partidos não são extensões do sobrenome de ninguém. E a direita personalista brasileira, acostumada a confundir voto com propriedade privada, está aprendendo que legenda tem estatuto.


A novela promete. Pipoca liberada.

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