O cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é Fabiano Zettel: pastor evangélico, empresário, homem de confiança. Foi detido pela PF e solto em seguida. Até aí, já não era pouco.
Agora vem o detalhe que desmonta qualquer discurso de normalidade: Zettel comprou parte do resort da família de Dias Toffoli, relator do caso que apura as fraudes que levaram à liquidação do Master.
Não foi compra direta, claro. Foi do jeito “sofisticado”. Zettel era único cotista do fundo Leal, que era único cotista do fundo Arleem, que pagou R$ 6,6 milhões por parte do Tayayá Resort, pertencente a dois irmãos e um primo de Toffoli. Engenharia financeira digna de aula - ou de inquérito.
Quem administrava os fundos? Reag Trust.
A mesma Reag investigada no escândalo do Banco Master, citada em apurações sobre lavagem de dinheiro do PCC e liquidada ontem pelo Banco Central por “graves violações às normas do sistema financeiro”. Coincidência de alto desempenho.
O ex-dono da Reag, João Carlos Mansur, foi alvo da PF nesta semana. Saiu da empresa no ano passado tentando estancar a sangria reputacional. Não adiantou.
No meio disso tudo, o relator do caso, Dias Toffoli, coleciona recuos sucessivos. Primeiro manda lacrar as provas no STF. Depois, diante da reação, envia à PGR. Em seguida, autoriza quatro peritos da PF a analisar os celulares, sob supervisão. Método em zigue-zague num caso que exige linha reta.
Ninguém aqui está condenando ninguém. Mas quando banqueiro investigado, pastor detido, fundo suspeito, corretora liquidada, resort da família e relator do inquérito passam a dividir o mesmo parágrafo, o problema já não é jurídico, é institucional.
Porque justiça não pode parecer negócio de família. E inquérito não pode virar labirinto com saída seletiva.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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