Donald Trump resolveu fazer o auto-review do primeiro ano do próprio governo. Spoiler: saiu pior que avaliação de restaurante escrita pelo dono.
Na versão trumpiana dos fatos, o país vive um paraíso: crime caiu, imigração acabou, economia voa, imprensa mente, direitos civis “exageraram” e o racismo… bem, o racismo é sempre dos outros. Ele só “diz verdades duras”. Coincidentemente, sempre duras contra imigrantes, minorias e adversários políticos.
As mentiras vêm no atacado: estatísticas inventadas, números fora de contexto, fatos desmentidos e repetidos, como se insistência virasse prova. No campo racial, o velho repertório: insinuações xenófobas, ataques a parlamentares por origem, religião ou cor da pele, e aquela tese preguiçosa de “discriminação reversa”, que só cola para quem nunca abriu um livro de história ou finge que não abriu.
Quando a realidade atrapalha, entra o modo automático: imprensa inimiga, críticos corruptos, instituições sabotados. Se alguém questiona, é perseguição. Se alguém apura, é complô. Se alguém discorda, é antiamericano. Democracia, para ele, funciona desde que concorde.
O mais impressionante não é o exagero, é a coerência. Tudo se encaixa: mentira factual, injúria velada (às vezes nem tão velada), e um teatro permanente de vitimização narcísica. Governa como quem posta: alto, raso e agressivo. A diferença é que agora o estrago não fica só no feed.
Trump não faz balanço de governo, faz performance. E o problema nunca foi o roteiro; sempre foi o público que acredita que isso é liderança, e não stand-up autoritário mal ensaiado
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto
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