quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Quando um presidente diz " sou um ditador" e parte do público aplaudi o problema já não é mais o Trump

 Trump foi a Davos e resolveu poupar intermediários.

“Eu sou um ditador. Às vezes você precisa de um.”


Não é gafe. Não é piada. Não é frase fora de contexto. É método.


Donald Trump não está flertando com o autoritarismo, está normalizando o vocabulário dele. A palavra “ditador” deixa de ser acusação e vira estilo de liderança. Quando o absurdo vira ironia, o choque moral evapora. E quando evapora, o terreno fica livre.


Isso não é sobre tanques, fechamento do Congresso ou suspensão imediata de eleições. Democracias raramente morrem assim. Elas morrem quando o líder ensina o público a desprezar limites, a tratar freios institucionais como frescura e a confundir arbítrio com eficiência.


Trump não prometeu um golpe. Fez algo mais inteligente e mais perigoso: apresentou o autoritarismo como solução prática, de bom senso, quase administrativa. Um CEO cansado de regras. Um “homem forte” para tempos “difíceis”. Sempre funciona. Até não funcionar mais.


Davos ouviu. O mundo ouviu. Quem finge que foi só bravata está praticando autoengano confortável.


A frase não escandaliza porque Trump exagerou. Escandaliza porque ele falou em voz alta o que muitos preferem cochichar.


E quando um presidente diz “sou um ditador” e parte do público aplaude, o problema já não é mais o Trump.

Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 

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