Trump foi a Davos e resolveu poupar intermediários.
“Eu sou um ditador. Às vezes você precisa de um.”
Não é gafe. Não é piada. Não é frase fora de contexto. É método.
Donald Trump não está flertando com o autoritarismo, está normalizando o vocabulário dele. A palavra “ditador” deixa de ser acusação e vira estilo de liderança. Quando o absurdo vira ironia, o choque moral evapora. E quando evapora, o terreno fica livre.
Isso não é sobre tanques, fechamento do Congresso ou suspensão imediata de eleições. Democracias raramente morrem assim. Elas morrem quando o líder ensina o público a desprezar limites, a tratar freios institucionais como frescura e a confundir arbítrio com eficiência.
Trump não prometeu um golpe. Fez algo mais inteligente e mais perigoso: apresentou o autoritarismo como solução prática, de bom senso, quase administrativa. Um CEO cansado de regras. Um “homem forte” para tempos “difíceis”. Sempre funciona. Até não funcionar mais.
Davos ouviu. O mundo ouviu. Quem finge que foi só bravata está praticando autoengano confortável.
A frase não escandaliza porque Trump exagerou. Escandaliza porque ele falou em voz alta o que muitos preferem cochichar.
E quando um presidente diz “sou um ditador” e parte do público aplaude, o problema já não é mais o Trump.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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