O roteiro era messiânico, o figurino era bíblico, a trilha sonora era de guerra cultural, mas o clímax veio do céu, sem pedir autorização ao STF.
A marcha “contra o sistema” terminou sob chuva grossa e um raio caindo ali perto, como se a natureza tivesse dito: chega de performance, gente. Três feridos, correria, capa verde-amarela virando capa de chuva e o heroísmo evaporando mais rápido que a fé quando acaba o Wi-Fi.
Não é sinal divino, é meteorologia. Brasília chove. Raios caem. A realidade insiste em aparecer quando o teatro exagera. O problema é que o bolsonarismo sempre confundiu épico com improviso e providência com storytelling.
Fica a imagem final: o povo prometeu tomar o céu de assalto, mas esqueceu de olhar o radar. Quando a política vira encenação permanente, até o clima perde a paciência.
Credito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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