A Polícia Federal mandou um recado simples, educado e absolutamente devastador: acabou a licença-mandato, volta pro balcão, Eduardo.
Sem metáfora, sem firula. Cassado por faltas, fora do Congresso, o “03” agora recebeu ordem formal para reassumir o cargo de policial federal no Rio de Janeiro. Horário, chefia, hierarquia, corregedoria, ponto. Aquele pacote completo que a família sempre achou que valia só para os outros.
O detalhe delicioso é jurídico: enquanto deputado, afastamento automático. Perdeu o mandato? Perdeu o escudo. A PF não pediu favor, não abriu negociação, não fez live. Determinou. Ou se apresenta, ou entra no radar administrativo. E a PF não é a Câmara: não tem recesso indulgente, não tem voto de aplauso, não tem cercadinho.
Agora imagina a cena. O sujeito que passou anos denunciando “o sistema”, atacando instituições, flertando com golpismo, vivendo de palco e Twitter, tendo que responder a superior hierárquico, cumprir ordem escrita e respeitar regulamento interno. É quase uma peça de humor involuntário do direito administrativo brasileiro.
O bolsonarismo sempre vendeu a fantasia do herói antissistema. A realidade respondeu com um memorando. Volta pro trabalho. Assina o ponto. E sem imunidade.
O Estado brasileiro, às vezes, não precisa gritar. Basta funcionar.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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