Hoje, na Praça dos Três Poderes, o Brasil lembrou uma coisa simples e irritante: democracia tem endereço. Foi aqui que tentaram transformá-lo em ruína. Foi aqui que tentaram vender barbárie como patriotismo, depredação como “protesto”, golpe como “liberdade”.
E hoje, três anos depois, veio um gesto que importa: Lula vetou integralmente o PL da anistia disfarçada. O projeto que tentava reembalar tentativa de golpe como deslize emocional, como exagero, como “vamos virar a página”.
Virar a página, nesse caso, é rasgar o livro.
Anistia não é pacificação quando vira recado pedagógico para o próximo ataque. É ensinar que o crime compensa se vier com bandeira, selfie e uma frase pronta sobre Deus e família. Memória não é vingança. Responsabilização não é perseguição. Democracia que se ajoelha para quem tentou destruí-la não é democracia; é rendição com maquiagem.
A foto de hoje não é sobre um presidente. É sobre um país dizendo, com gente, corpo e presença: aqui não é terreno livre para golpista testar a sorte.
Quem chama isso de revanchismo está pedindo o direito de tentar de novo.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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