Sim, ela mesma. A ex-ministra e hoje senadora que via demônio em tudo, menos em rachadinha, agora diz que a CPMI do INSS tropeçou em grandes igrejas e grandes pastores envolvidos num esquema de fraude que sugava dinheiro direto da aposentadoria dos mais pobres. Pobres, detalhe nada irrelevante, que em boa parte são fiéis dessas mesmas igrejas.
O roteiro é indecente de tão conhecido. Associações “amigas”, convênios com o INSS, descontos automáticos em folha e uma multidão de idosos que nunca autorizou nada. Quando a comissão chega perto dos nomes graúdos, começa o coral: não investiguem, os fiéis vão ficar tristes. Tradução simultânea: mexer no esquema pode atrapalhar arrecadação, voto e púlpito.
Aqui não tem mistério jurídico. Desconto sem autorização é fraude. Organização para isso é crime. Bíblia não vira salvo-conduto penal. E “obra de Deus” não justifica meter a mão no benefício de quem mal consegue pagar o gás.
O dado político é o mais constrangedor: quando até Damares Alves admite que a coisa fede, é porque o esgoto já subiu ao altar. Não estamos falando de exceção, mas de um modelo em que fé vira instrumento financeiro e o INSS, caixa eletrônico paralelo.
Credito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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