Ontem, PF na rua: mandado, busca, nome conhecido no radar. Hoje cedo, o Banco Central decreta a liquidação extrajudicial da Reag. Não é advertência, não é multa, não é ajuste fino; é morte regulatória. A razão oficial: “graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional”.
A Reag, hoje rebatizada de CBSF DTVM, é a mesma casa cujo fundador, João Carlos Mansur, foi alvo da Operação Compliance Zero, a investigação que já tinha colocado o Banco Master no centro do furacão. O mesmo ambiente. Os mesmos personagens. O mesmo cheiro.
E os fatos são grotescos demais para caber em nota técnica.
Um fundo recém-nascido, com 20 dias de vida, recebe R$ 450 milhões oriundos de operação com o Master. Em 20 dias, o patrimônio do fundo se multiplica em 30 mil vezes. Uma única operação. Um único cotista. Uma empresa comandada por ex-funcionária da própria Reag. Isso não é mercado sofisticado; é caricatura de mercado.
O Banco Central não usou linguagem ambígua. Falou em graves violações, em indisponibilidade de bens de controladores e ex-administradores, em encaminhamento às autoridades competentes. Quando o BC escreve assim, não está pedindo explicação: está lavrando atestado de incompatibilidade com o sistema financeiro.
E o histórico não ajuda. No ano passado, a empresa de Mansur já tinha aparecido na Operação Carbono Oculto, que investigava conexões entre PCC, combustíveis e mercado financeiro. Agora reaparece no epicentro de um esquema que envolve banco privado, fundos relâmpago e dinheiro que se multiplica como milagre - só que sem evangelho, sem altar e sem inocência.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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