terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Quem esquece, repete. Quem lembra, resiste

 27 de janeiro não é uma data confortável. E ainda bem.



Hoje o mundo lembra Auschwitz. Não como museu, não como metáfora, não como exagero retórico de debate raso. Lembra como método, como política, como Estado funcionando a pleno vapor para decidir quem merece viver e quem deve desaparecer.


O Holocausto não começou com câmaras de gás. Começou com piadas, com desumanização elegante, com intelectuais explicando que era exagero, que era contexto, que era complexo demais para condenar. Começou quando matar virou linguagem administrativa e o ódio ganhou carimbo oficial.


Seis milhões de judeus não morreram por acidente histórico. Foram assassinados por um regime que transformou preconceito em norma, medo em ideologia, silêncio em cumplicidade.


Por isso memória não é culto ao passado, é alerta no presente. Toda vez que alguém relativiza, compara mal, banaliza, ironiza ou tenta cansar o debate está ajudando o esquecimento a fazer seu trabalho sujo.


Lembrar hoje é um ato político. É dizer, sem gritar e sem pedir licença: isso aconteceu, foi humano, pode acontecer de novo, e não começa com tanques, começa com palavras.


Quem esquece, repete. Quem lembra, resiste.

Credito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

Nenhum comentário:

Quem esquece, repete. Quem lembra, resiste

 27 de janeiro não é uma data confortável. E ainda bem. Hoje o mundo lembra Auschwitz. Não como museu, não como metáfora, não como exagero r...