Eles juram que é exagero. Que é “liberdade de expressão”. Que são “casos isolados”.
Pois bem: 37 neonazis presos em Portugal. Armas. Planeamento. Ideologia de ódio. Preparação para violência urbana. Nada metafórico. Nada virtual.
O nome do grupo é 1143, referência nacionalista reciclada para justificar racismo, culto à força e sonho de milícia. Não eram só trolls de internet nem bêbados de claque. Havia militar, polícia, reincidentes e gente a operar de dentro da prisão. O Estado interveio porque o risco era real.
Agora a parte que incomoda: há militantes e candidatos do Chega entre os detidos. E isso não cai do céu. Extremismo não cresce no vácuo; cresce quando encontra ambiente político tolerante, discurso que normaliza o ódio e líderes que fingem não ver.
Em plena eleição presidencial, o líder do partido - André Ventura - responde como sempre: relativiza, irrita-se, diz que “qualquer um pode ser militante” e que voto é voto. É a política da omissão útil: não organiza o extremismo, mas lucre com ele.
Não é sobre direita ou esquerda. É sobre democracia com freios versus democracia corroída por dentro. Quando partidos fecham os olhos para neonazis porque “dão apoio”, o problema já não é policial, é político.
Portugal aprendeu a tempo. Interveio antes que as palavras virassem tiros. A pergunta agora é simples e brutal: quem lucra com o ódio tem coragem de condená-lo sem “mas”?
O resto é desculpa. E desculpa, em matéria de fascismo, sempre chega atrasada.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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