O pós- Bolsonaro começou, mas ninguém sabe muito bem quem fica com o sobrenome, nem se ele ganha eleição
A direita brasileira virou um bingo em dia de vento forte. As cartelas voam, ninguém confere os números e todo mundo jura que está ganhando.
Ronaldo Caiado troca de partido como quem troca de terno no casamento alheio e aparece sorrindo ao lado de Ratinho Júnior e Eduardo Leite para anunciar a grande novidade: não há novidade nenhuma. A direita “responsável” descobriu, com atraso pedagógico, que carisma não é Pix e voto não se transfere por aproximação afetiva. Nem todo mundo herda o espólio.
Do outro lado, o bolsonarismo segue fiel à própria liturgia: romaria, constrangimento e silêncio estratégico. Tarcísio de Freitas vai a Brasília, olha, acena, jura que não quer e sai reafirmando que não sai. É o famoso “não contem comigo, mas também não me descartem”. Política brasileira em estado puro.
Sem Tarcísio no balcão, o PL resolve inovar com o marketing: surge Flávio, o Bolsonaro “versão vacina em dia”. Mesma família, nova embalagem, promessa de menos febre institucional. No combo, três cabos eleitorais para empurrar o carrinho: Tarcísio (que não quer), Michelle (que mobiliza) e Nikolas Ferreira (que viraliza).
E aqui está o ponto que dói. Nikolas é, sim, um fenômeno de mobilização. Ignorar isso é burrice analítica. Mas confundir engajamento digital com maioria eleitoral é outra burrice, simétrica. Curtida não é voto. Alcance não é segundo turno. Influência não é hegemonia.
Resumo da ópera: a direita está sem maestro, a partitura mudou e o público já não aplaude por reflexo. O pós-Bolsonaro começou, mas ninguém sabe muito bem quem fica com o sobrenome, nem se ele ainda ganha eleição.
Credito: Escritor e Advogado Júlio Benchamol Pinto



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