Quando Damares Alves diz, numa CPMI, que encontrou grandes igrejas e grandes pastores metidos em fraude contra aposentados, o mínimo esperado seria silêncio respeitoso e investigação séria. Mas não. O que vem é chilique, ameaça moral e berreiro de púlpito.
Silas Malafaia resolveu reagir como se estivesse num culto, não num Estado laico: chamou a senadora de linguaruda, mandou calar a boca, invocou Satanás, ímpios e perseguição religiosa. Faltou só passar o chapéu no final do vídeo.
Reparem no truque retórico: ninguém diz “isso é falso”. Ninguém explica por que associações ligadas a igrejas descontavam dinheiro direto do benefício de idosos. A cobrança não é por verdade, é por silêncio. Ou dá os nomes agora, ou cale-se. Tradução: investigue menos, atrapalhe menos, exponha menos.
O ponto não é Damares ser heroína. Não é. O ponto é outro: quando até ela desce da goiabeira e diz “isso machuca”, é porque a sujeira chegou ao altar. E quando a reação é xingar, calar e ameaçar, o cheiro só piora.
Investigação não é perseguição religiosa; é dever de Estado. Fé não é salvo-conduto penal. E dízimo em folha de pagamento de aposentado não é milagre; é método.
Sigam gritando. A CPMI segue andando. E o extrato bancário, como sempre, fala mais alto que o púlpito.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol

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