Mais um capítulo do folhetim médico-político. De novo surge notícia de mal-estar, queda, atendimento, preocupação. De novo o país é convidado a suspender o debate para contemplar o drama pessoal de Jair Bolsonaro.
Pergunta simples, sem anestesia: quando acaba esse mimimi? Desde que começaram as investigações, a liturgia se repete como relógio suíço: pressão jurídica sobe, prontuário aparece. Dor aqui, mal-estar ali, internação acolá. Nunca falha. Coincidência é um bicho resiliente.
O problema não é adoecer. Todo mundo adoece. O problema é a vitimização interminável de quem passou anos zombando de mortos, desdenhando de doentes, ironizando quem pedia oxigênio, vacina ou empatia. Quem fez carreira dizendo “e daí?” agora pede silêncio reverente e comoção nacional.
Solidariedade não é botão de emergência que se aperta quando convém. Empatia não nasce em UTI cenográfica. E respeito não se improvisa no leito depois de ter chutado o chão onde outros caíram.
Chega uma hora em que o país cansa do teatro. Justiça não se suspende por performance clínica. E compaixão não é cheque em branco para quem passou a vida rasgando o cheque dos outros.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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