O bolsonarismo acordou hoje democrata de exportação. Está eufórico com Trump capturando Nicolás Maduro, festejando a “queda do ditador” e falando em libertação do povo venezuelano, como se tivesse descoberto ontem que ditadura é coisa feia.
O detalhe inconveniente, claro, fica convenientemente esquecido. Outro dia mesmo, seus principais líderes foram condenados e presos por tentar reintroduzir a ditadura no Brasil, rasgar o resultado das urnas e transformar quartel em árbitro político. O chefe máximo do movimento, Jair Bolsonaro, virou réu, condenado, preso, não por opinião, mas por conspiração contra a democracia.
A lógica é simples e cínica. Ditador é sempre o outro. Golpe é sempre o do vizinho. Quando é aqui, vira “patriotismo”, “luta contra o sistema”, “defesa da família”. Quando é lá fora, aplaude-se tanque estrangeiro como se fosse TED Talk sobre liberdade.
E há algo ainda mais revelador. O mesmo grupo que passou anos atacando STF, imprensa, eleições e Constituição agora aplaude tutela externa, administração estrangeira e petróleo como butim, desde que venha carimbado por Donald Trump. Democracia, para eles, nunca foi princípio; sempre foi torcida.
Não é incoerência por distração; é coerência autoritária. Eles não odeiam ditaduras; odeiam não mandar.
Celebrar a deposição de um autocrata enquanto se tenta instalar outro em casa não é defesa da democracia. É memória seletiva com saudade do porão.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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