Curioso o entusiasmo Seletivo
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Muita gente vibra ao ver americanos nas ruas contra o autoritarismo de Trump. Aplaude, compartilha, se emociona. De repente, protesto vira virtude cívica, povo na rua vira “despertar democrático”, repressão estatal vira escândalo.
Mas quando o povo iraniano faz exatamente isso - sai às ruas, enfrenta bala, prisão, tortura e forca para desafiar a ditadura dos aiatolás -, o silêncio é ensurdecedor. Quando não é silêncio, é desconfiança. Sempre aparece alguém para sugerir que é CIA, Mossad, conspiração ocidental, manipulação externa. O velho truque: deslegitimar o oprimido para salvar o opressor preferido.
Reparem no duplo padrão: nnguém sério diz que os protestos nos EUA são obra dos serviços secretos da Rússia ou da China, ninguém acusa manifestante americano de ser marionete estrangeira. Nos EUA, o povo é povo; no Irã, o povo vira suspeito.
Liberdade, ao que parece, só vale quando incomoda o inimigo certo. Quando o autoritarismo usa turbante e não gravata, quando a repressão vem embrulhada em discurso anti-imperialista, parte da esquerda perde a voz, a coerência e a vergonha.
O povo iraniano não pede intervenção externa, pede o básico: parar de morrer por discordar, parar de ser chicoteado por existir, parar de viver sob um regime que mata mulheres por mostrar o cabelo e médicos por salvar feridos.
Se aplaudir protesto nos EUA é sinal de compromisso democrático, ignorar o Irã é confissão moral. Direitos humanos não têm passaporte ideológico. Ditadura não fica aceitável porque odeia o mesmo inimigo que você.
Ou a gente defende gente - toda gente - ou está só fazendo torcida organizada com capa moral.
Credito: Escritor e Advogado Júlio Bencimol



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