Na Operação Compliance Zero, a Polícia Federal foi atrás do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, e o inquérito avançou para o entorno. Fabiano Campos Zettel, pastor da Igreja Batista da Lagoinha, empresário e cunhado de Vorcaro, foi detido ao tentar embarcar para Dubai. Saiu no mesmo dia, com passaporte apreendido.
Zettel não é figurante. É fundador da Moriah Asset, circula entre investimentos, política e púlpito e tem histórico de doações a campanhas bolsonaristas.
No mesmo fio, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da Reag (CBSF DTVM) por “graves violações às normas do Sistema Financeiro Nacional”. O fundador da casa, João Carlos Mansur, foi alvo de buscas na mesma fase da operação. Um fundo ligado à Reag - Brain Cash - tinha 20 dias de vida quando recebeu R$ 450 milhões em operação com o Master e multiplicou o patrimônio em cerca de 30 mil vezes em 20 dias, com um único cotista, empresa comandada por ex-funcionária da própria Reag.
E não para aí. Em outra frente, a CPMI do INSS apura fraudes em descontos previdenciários e fluxos financeiros envolvendo igrejas e pastores. A Igreja Batista da Lagoinha não é ré como instituição- isso precisa ser dito. Mas lideranças e conexões aparecem em investigações distintas que convergem no mesmo triângulo: banco, fundos e política.
O padrão é conhecido: púlpito como escudo moral, planilha como linguagem real. Quando dá certo, é “prosperidade”. Quando a PF chega, vira “perseguição à fé”. Estado laico não acusa crença; apura fatos.
E os fatos estão aí: nomes, datas, mandados, bloqueios, liquidação pelo BC. Quem mistura religião com engenharia financeira não pode reclamar quando a conta chega.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto

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