O Processo Seletivo Para Carregar Flavio

  

A escolha da vice de Flávio Bolsonaro virou uma espécie de RH do apocalipse: procura-se uma mulher capaz de conquistar eleitoras, acalmar o mercado, trazer um partido, conversar com o centro e, ao mesmo tempo, obedecer ao clã sem fazer perguntas.

Tereza Cristina reunia quase tudo: agronegócio, experiência, articulação, sobriedade e algum respeito fora da bolha. Olhou para a vaga, avaliou o risco biológico e preferiu disputar a Presidência do Senado.


Daniella Marques agrada a Flávio, tem verniz técnico e passagem pela Caixa. Só falta um detalhe incômodo: o próprio partido comprá-la como representante do partido.


Bia Kicis e Júlia Zanatta oferecem fidelidade, barulho e devoção. Uma chapa com qualquer das duas teria a diversidade política de um grupo de WhatsApp da família Bolsonaro. Excelente para pregar aos convertidos; péssima para conquistar quem ainda conserva o hábito de pensar.


Michelle seria a única com capital eleitoral próprio entre mulheres conservadoras. Também transformaria a chapa numa guerra de sucessão transmitida ao vivo, com direito a indiretas, pastor, assessor e vídeo choroso.


O drama da vice expõe o problema central da candidatura: Flávio precisa de alguém que amplie sua votação, suavize sua imagem, traga governabilidade e aceite o papel de figurante.


Até agora, as mulheres capazes de ajudá-lo hesitam. As dispostas a aceitar acrescentam mais bolsonarismo a uma candidatura que já sofre de overdose.


A vaga continua aberta. Exige-se experiência, votos, partido e disposição para entrar no avião com a família Bolsonaro pilotando.


     Julio Benchimol Pinto

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