Flavio Bolsonaro Acaba de Descobrir Que A Lei Maria Da Penha é "um pedaço de papel"

  

Curioso. Há poucos meses, ele apresentou projeto para ampliar justamente esse pedaço de papel, permitindo medidas protetivas mais rápidas. Antes disso, relatou proposta de tornozeleira eletrônica para agressores e elogiou a “efetividade” dos mecanismos previstos na mesma lei.


Agora, em campanha, o senador que legislava resolveu explicar ao país que lei não protege ninguém.


Protege tão pouco que o próprio programa dele prevê tornozeleira para agressor submetido a medida protetiva - aquela figura jurídica produzida, veja só, pelo tal pedaço de papel.


Flávio também votou a favor da criminalização da misoginia; dias depois, chamou o projeto de “armadilha do PT”. Deve ter sido vítima de fraude eleitoral dentro do próprio dedo.


A crítica séria seria dizer que a Lei Maria da Penha é indispensável, mas precisa de orçamento, delegacias, fiscalização, abrigos e punição efetiva. Flávio preferiu o truque do camelô: desqualifica o produto no microfone e o revende no projeto seguinte.


No Senado, fortalece a lei; no palanque, debocha dela. Para mulheres, promessa; para o eleitor, teatro. O pedaço de papel muda de valor conforme a plateia.


A coerência de Flávio é igual à defesa da família Bolsonaro: aparece muito em discurso e desaparece quando começa a prova documental.

   Julio Benchimol Pinto

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