A Grande Contribuição Histórica do Bolsonarismo Ao Brasil Foi Retirar O Esgoto Da Clandestinidade


O racista, antes constrangido, ganhou microfone. O machista virou defensor da família. O misógino recebeu mandato. O homofóbico foi ungido guerreiro de Deus. O torturador virou herói. O golpista, patriota. E o fascista aprendeu a posar de vítima quando alguém finalmente pronuncia seu nome.


Júlia Zanatta pode espernear contra a sindicalista alemã que a chamou de fascista e nazista. A tiara de flores, sozinha, evidentemente não prova nada. O problema nunca esteve na floricultura; está na ideologia cultivada sob ela: culto às armas, desprezo pelas minorias, nostalgia da ditadura, ódio ao feminismo, hostilidade aos direitos humanos e devoção a um chefe que tentou permanecer no poder contra a vontade das urnas.


O bolsonarismo não inventou o preconceito brasileiro; fez algo politicamente mais devastador: concedeu-lhe respeitabilidade, identidade coletiva e representação institucional.


Transformou vergonha em orgulho, ressentimento em programa, ignorância em autenticidade, violência em sinceridade.


Agora, quando o fascismo é chamado de fascismo, seus porta-vozes se indignam. Querem praticar o autoritarismo com o conforto semântico de serem chamados de democratas.


Até para destruir a democracia exigem tratamento respeitoso.


São fascistas de porcelana: adoram quebrar tudo, mas desabam quando alguém quebra o encanto.


 Julio Benchimol

Comentários

Postagens mais visitadas