O Bolsonarismo Virou Inventário
A pesquisa Meio/Ideia flagrou uma cena deliciosa: Flávio Bolsonaro herdou o sobrenome, mas não herdou o carisma; herdou o espólio, a briga de família, os escândalos e a obrigação ingrata de caber dentro do terno do pai.
O problema é que o terno está largo: entre os homens, Flávio ainda respira; entre as mulheres, afunda: Lula abre mais de 16 pontos. E isso não é detalhe estatístico; é rachadura estrutural. A política do berro, da testosterona cenográfica, da família como palanque e do moralismo de ocasião começa a cobrar a fatura.
Entre evangélicos, Flávio ainda tem bunker, mas bunker também pega infiltração: na periferia mais pobre, Lula passa o trator e, no meio do caminho, ainda aparecem Banco Master, Daniel Vorcaro, Michelle, Eduardo, Jair e o velho cabaré sucessório da família Bolsonaro.
Flávio tentou ser o herdeiro natural do mito; por enquanto, parece mais o síndico provisório do espólio. O bolsonarismo continua perigoso, mas sua candidatura dinástica começou a mostrar o teto: muito barulho, muito sobrenome, muita pose e cada vez menos mundo fora da bolha.
Julio Benchimol Pinto



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