A Trégua Morreu Na Portaria Do PL



Michelle saiu do PL Mulher e quase saiu do PL. Damares e Celina correram para segurá-la porque Brasília sabe contar: sem Michelle, o palanque feminino da direita no DF perde chão, voz e perfume eleitoral.



A nota fala em cuidar de Jair e da filha. Respeitável. Mas ninguém se reúne com Valdemar, larga uma máquina nacional e ameaça desfiliação apenas para trocar compressa doméstica. Isso é recado com luva branca.

Flávio pediu união; a tropa dele entregou pedrada: Eduardo e os exilados digitais seguiram atacando a madrasta como se política fosse grupo de condomínio com Wi-Fi internacional. Pregam família no domingo e apedrejam mulher na segunda; versículo na bio, veneno no feed.

Michelle respondeu no idioma que eles entendem: saiu da cadeira, esfriou a candidatura, esvaziou o evento de Flávio e ainda soltou a indireta de Garotinho sobre Vorcaro, festas e “homens que defendem a família”. A frase “a verdade de Jesus vai prevalecer” caiu como sal grosso na sala errada.

E, no fundo do palco, relincha o Dark Horse: o filme do mito, o dinheiro do banqueiro, a notícia-crime, a PGR - a cinebiografia virou cavalo de Troia.

Flávio tem o sobrenome, Michelle tem a passagem para o eleitorado feminino conservador; Eduardo tem megafone, Michelle tem capilaridade; Carlos tem bunker, Michelle tem rede; Valdemar tem partido, Michelle tem moeda.

Progressismo, zero; conservadorismo, tonelada - mas é justamente isso que irrita os machos do cercado: ela fala a língua deles, reza no altar deles e, mesmo assim, se recusa a virar enfeite de campanha.

O bolsonarismo prometia família, ordem e obediência; entregou vaidade, suspeita, ressentimento e guerra doméstica televisionada.

Michelle não aceitou a trégua; ela cobrou o dízimo político.

   Julio Benchimol Pinto

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