O Embaixador Na Antessala
Trump anunciou Daniel Perez como embaixador no Brasil antes de pedir o agrément - a autorização sem a qual o indicado não atravessa a porta.
Brasília fez o que qualquer país soberano pode fazer: deixou o nome na antessala. Washington, segundo a Reuters, já ensaia retaliação. A diplomacia trumpista parece funcionar como condomínio de miliciano: primeiro ocupa, depois discute a escritura.
Perez é aliado de Marco Rubio e declarou que a eleição brasileira estaria entre suas prioridades. Na mesma semana, Lula confirmou ter barrado dois enviados de Trump que pretendiam vir fiscalizar nossa “integridade eleitoral” - como se o Brasil fosse uma repartição subordinada ao Departamento de Estado dos EUA.
Flávio Bolsonaro vende Trump como padrinho internacional. De quebra, entregou a Lula o melhor adversário externo possível e um palanque de soberania com iluminação própria.
O Itamaraty precisa agir com rigor, fundamento e sangue-frio - sem bravata, sem submissão e sem espetáculo.
Washington talvez reaprenda uma regra diplomática anterior ao feed presidencial: embaixador entra com o consentimento do país anfitrião. Anúncio de Trump não vale visto, passaporte nem chave da portaria.
Júlio Benchimol Pinto



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