A Consciência Não Usa Coleira
O Brasil costuma olhar o Norte como periferia; de vez em quando, o Norte devolve uma lição de centro moral. Socorro Neri, do Acre, é uma dessas mulheres.
Filha de Adelaide Neri, professora e deputada federal, aprendeu cedo que mandato sem serviço público vira apenas salário com palanque. Professora, doutora em Educação, ex-vice-reitora da UFAC, secretária de Educação e primeira mulher a governar Rio Branco, Socorro chegou à Câmara como a deputada federal mais votada do Acre.
Em Brasília, ajudou a converter em lei condições mínimas para escolas públicas - biblioteca, internet, água tratada, saneamento e acessibilidade: o básico que o Brasil ainda administra como luxo. Relatou o Fator Amazônico, para que o SUS pare de calcular o custo de alcançar uma aldeia de barco como se atendesse uma quadra do Plano Piloto. Sua atuação alcança mulheres, pessoas com deficiência, povos indígenas, ribeirinhos, comunidades tradicionais e meio ambiente.
Socorro é filiada ao PP. A filiação lhe deu uma legenda; jamais uma coleira. Já contrariou o próprio partido quando os direitos das mulheres, dos povos originários e da natureza exigiram voto, coragem e coluna vertebral.
É casada com meu amigo Joaquim Medeiros, médico-veterinário e ex-presidente da Sociedade Acreana de Medicina Veterinária e Zootecnia, cuja atuação ajudou a fortalecer e valorizar a profissão no estado.
Tenho muito orgulho de ser amigo dos dois. Num país em que tantos políticos desaparecem dentro da própria sigla, Socorro chegou a Brasília levando uma biografia inteira.
O Norte dando aula ao Brasil - outra vez.
Júlio Benchimol Pinto



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