Unha, Carne e Gasolina

A PF puxou um fio no Rio e saiu o figurino inteiro da política fluminense: posto de gasolina, jogo do bicho, cigarro, contratos públicos, agentes do Estado e uma movimentação de R$ 7,6 bilhões. Sete vírgula seis bilhões. Nem a fé de certos patriotas lava tanto dinheiro!


A tal “lista” mencionada por Gilmar, pelo visto, não era delírio de ministro; era cheiro de fritura vindo da cozinha.


E o bolsonarismo? Entra como sempre entra no Rio: pela garagem, pelo gabinete, pelo palanque e, quando aperta, pela nota oficial indignada.


Ramagem aparece em planilha; Castro se explica; Bacellar já virou personagem da novela; Canella, cogitado para o palanque de Flávio, acordou com a PF batendo à porta - tudo cercado daquele perfume republicano de posto na beira da estrada: gasolina, fumaça e milhagem eleitoral.


Claro, todos são inocentes até prova em contrário. Mas, convenhamos, no Rio, quando a polícia procura gasolina e encontra bicho, político e bolsonarista no mesmo tanque, não é abastecimento, é ecossistema.

  Julio Benchimol Pinto

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