A Família Que Só Acerta O Próprio Pé
Parece que os Bolsonaro nunca fizeram curso de tiro ao alvo: só dão tiro nos próprios pés.
Primeiro, uma pistola de Jair apareceu numa blitz, carregada pelo segurança a quilômetros da prisão domiciliar. A arma que deveria simbolizar virilidade virou suspeita de falta grave, pedido de explicações, entrega compulsória do arsenal e busca da Polícia Federal na casa do patriarca.
Agora, Jair escreve uma carta para ungir Flávio como herdeiro da capitania. O filho sai da visita, lê o manifesto em live e transforma o pai proibido de usar redes sociais num influenciador por procuração.
Moraes respondeu com precisão balística: suspendeu as visitas de Flávio por 90 dias, deu 48 horas para a defesa explicar a gambiarra comunicacional e mandou o Ministério Público Eleitoral investigar possível propaganda antecipada.
A carta destinada a consolidar o herdeiro conseguiu afastá-lo do pai; a arma levada para conserto quase consertou o endereço prisional do dono.
É uma espécie rara de genialidade reversa: cada demonstração de força produz uma nova cautelar; cada manobra para escapar da Justiça entrega à Justiça o próximo argumento.
No bolsonarismo, até o pombo-correio volta trazendo intimação.
Julio Benchimol Pinto



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