O Golpe Começa Pelo Álibi
Flávio Bolsonaro recusou a escolta da Polícia Federal alegando risco de “infiltração”. Prova concreta, nenhuma. Dias depois, apareceu de colete, triplicou a segurança e anunciou mais armas, viaturas e um centro de comando.
O candidato fabrica a própria fortaleza e transforma a instituição encarregada de protegê-lo em suspeita.
Depois convocou diplomatas e associou as urnas brasileiras à Smartmatic venezuelana. Era falso. A empresa jamais produziu as urnas nem o sistema de votação do Brasil. A mentira cumpriu sua missão antes do desmentido calçar os sapatos.
O roteiro está ficando familiar demais: desacreditar a PF, semear suspeitas sobre as urnas, posar de perseguido, pedir observadores estrangeiros e preparar a militância para enxergar fraude em qualquer resultado inconveniente.
Ainda não surgiu prova pública de um plano operacional para romper a ordem constitucional em 2026. A preparação política e psicológica, contudo, já está diante de nossos olhos.
O golpismo moderno raramente chega de tanque na primeira cena; chega de coletiva, vídeo, insinuação, “pergunta legítima” e vítima profissional. Primeiro destrói a confiança; depois apresenta a ruptura como defesa da democracia.
Jair Bolsonaro já testou esse método. Convocou embaixadores, mentiu sobre as urnas, perdeu a eleição e tentou permanecer no poder.
Flávio repete o ensaio com o cuidado do herdeiro que recebeu o manual, mas pretende evitar os erros de edição do pai.
A urna continua segura. O perigo está em quem precisa torná-la suspeita antes mesmo de o eleitor votar.
Júlio Benchimol Pinto



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