O "Empate Técnico" Contratou Assessoria De Imprensa
A PoderData ouviu 2.400 eleitores por telefone, entre 26 e 29 de julho, com margem de erro de dois pontos. Resultado: Lula 46%, Flávio Bolsonaro 43%.
Pela aritmética, Lula está na frente; pela manchete, Flávio ganhou um empate.
O curioso é que os demais institutos insistem no mesmo inconveniente: AtlasIntel/Bloomberg, 49,2% a 42,9%; Datafolha, 48% a 43%; BTG/Nexus, 47% a 43%; Quaest, 45% a 37%.
Cinco pesquisas, métodos diferentes e a mesma ordem de chegada.
Lula lidera, mas a eleição continua aberta. Flávio apanha, tropeça, coleciona escândalos e ainda preserva algo perto de 43%. O bolsonarismo pode ter perdido a compostura, jamais perdeu o curral.
Zema e Caiado também aparecem próximos de Lula em simulações de segundo turno. Só falta o pequeno detalhe de chegarem ao segundo turno: no primeiro, os dois patinam entre 2% e 6%. Pesquisa hipotética distribui voto antipetista por osmose; urna exige candidato, campanha e votos.
E nenhuma dessas rodadas mediu o impacto da notícia de 30 de julho: a PF avalia recorrer à Interpol para rastrear dinheiro no exterior ligado ao filme Dark Horse. O campo da PoderData terminou no dia 29.
O retrato, portanto, é claro: Lula tem vantagem; Flávio continua perigoso; Zema e Caiado habitam por enquanto o reino do “se”; e o porão da campanha ainda guarda bombas.
Margem de erro mede incerteza; não deveria servir para promover vice-líder.
Júlio Benchimol Pinto



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