Carla Zambelli finalmente conheceu o Estado mínimo que ela tanto defendeu. Chamava-se cela.
A mulher que berrava lei e ordem, armava bravata, brandia moral cristã e fazia live sobre coragem agora apanha na cadeia italiana e pede, chorosa, para trocar de andar. O detalhe delicioso: pede proteção justamente ao Estado. Aquele mesmo que ela passou anos tratando como tirania comunista.
Zambelli não está presa por opinião, discurso ou fé. Está presa por crime. Crime feio, concreto, tosco: invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça com hacker de quinta categoria. Não é metáfora. Não é narrativa. É sentença confirmada pelo Supremo Tribunal Federal. Dez anos. Trânsito em julgado. Acabou.
Aí ela fez o que essa turma sempre faz quando o palco acaba: correu. Fugiu do Brasil, vestiu a fantasia de perseguida política e descobriu, em Roma, uma verdade elementar da vida adulta: cadeia não liga para algoritmo, slogan nem hashtag. Cadeia não sabe o que é PL, não reconhece live, não respeita deputado. Cadeia só reconhece hierarquia, convivência forçada e silêncio.
Apanhou. Reclamou. Apanhou de novo. O presídio ignorou. Até que o advogado entrou em cena pedindo mudança de cela. Conseguiu. Porque, veja só, o Estado de Direito funciona. Funciona até para quem tentou dinamitar o Estado de Direito.
Enquanto isso, no Brasil, a farsa caiu. A Câmara tentou fazer contorcionismo institucional para manter o mandato. Alexandre de Moraes fez algo escandalosamente simples: aplicou a Constituição. Mandato de condenado criminalmente acabou. Não é escolha política, é consequência jurídica. O resto foi chilique.
Zambelli renunciou não por grandeza, mas por cálculo. Fugiu não por coragem, mas por pavor. E agora experimenta, sem filtro, sem público e sem curtida, o mundo real que sempre fingiu defender.
Não há lição moral. Não há redenção. Só o choque entre fantasia ideológica e concreto armado. E, desta vez, o concreto venceu.
Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto






