Pouco eu sou,
Quase nada.
É que, no meio da estrada,
Destratei uma flor.
Sou poeta, mais nada,
E faço versos ligeiros
Que ela não aprovou.
Então me componho
À própria sorte de existir
Nestes versos de morte e de rir,
Outros, tristonhos e arqueiros,
Que expõem a minha vida
E fazem dessa ferida
Um eterno lamaceiro.
A caneta é que nem flecha:
Vai perfurando as brechas
Que encontra pelo caminho.
E, se a tinta seca,
Já estou levado à breca,
Não me importo de ficar sozinho.
Construo outra estrofe
Que me parece de um viajante,
De versos adultos e ondulantes,
Como as ondas do mar.
Mas, ao declamá-los, continuo pouco,
Na beira do cais, qual um louco
Que se mete a navegar.
Então, este poema me basta
— De pouca métrica e casta,
Sem qualquer sentido.
Vai que aconteça comigo
O que aconteceu com a flor:
De nada ela gostou,
E se pôs a chorar.
Deixou cair uma pétala,
Três mudinhas de ‘et cetara’;
Até me fez cara feia,
Pôs em mim uma peia
E me mandou pastar.
Credito: Escritor Achel Tinoco
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