sábado, 24 de janeiro de 2026

Morre o Fundador da Gol Linhas Aéreas

 

         Foto/  Gol Linhas Aéreas.

Morreu no sábado (24), Constantino Oliveira Junior, aos 57 anos, o fundador e presidente do Conselho de Administração da Gol Linhas Aéreas. Constantino estava internado em um Hospital em São Paulo e vinha há anos tratando de um  câncer.

Credito: Denise Machado/ Blog Ibirataia

Pintar o Sete

 


Vai, vai pintar o céu,

Pega tuas tintas

E uma folha de papel;

Um lápis de carpinteiro,

Uma nuvem de chapéu

E vai ao banheiro

Pintar o sete, e o céu.

 

Rabisca o chão

E as paredes,

Prega no corrimão

Cores brancas e azuis,

Uma para cada estação,

Que acendam a luz

Nas noites de verão.

 

Mas, cuidado:

Se a mamãe te pegar,

Esconde tudo ao lado

E não diga quem mandou

Pintar esse céu estrelado.

Diga que foi um sonhador

Que precisava ser 

Escritor: Achel Tinoco

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

O Bolsonarismo virou visita íntima de poder enquanto o clã se engalfinha em público

 


 O bolsonarismo virou visita íntima de poder. Enquanto o clã se engalfinha em público, Tarcísio de Freitas pede autorização ao Supremo Tribunal Federal para ir à Papudinha abraçar o mito encarcerado. Política externa? Não. Política penitenciária.


A cena é perfeita: o governador paulista, que sonha alto, vai ao 19º Batalhão da PMDF prestar solidariedade ao chefe caído. Não é visita de cortesia; é peregrinação. Beija-mão simbólico. Genuflexão institucional. Afinal, quem manda no espólio eleitoral ainda está lá dentro - Jair Bolsonaro -, mesmo depois de ter carimbado apoio ao herdeiro oficial, Flávio Bolsonaro.


O roteiro é conhecido: família em guerra, patriarca preso, aspirantes orbitando a cela como satélites em busca de sinal. A direita brasileira descobriu a política carcerária: quem não visita perde bênção; quem visita, herda votos. Brasília nunca foi tão medieval.


Se autorizado, o encontro sela o óbvio: o bolsonarismo não debate projeto, administra relíquia. O Brasil assiste, o STF autoriza - ou não - e a Papudinha vira sala VIP da sucessão. Quem diria: o Planalto ficou pequeno; a cela, ampla.

Credito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 

Política virou Folhetim e a estrada para Brasília é passarela para vaidade

 


Prepare o circo: Nikolas Ferreira tocou o sino da vaidade e saiu a pé de Minas a Brasília numa epopeia cujo nome oficial é “Caminhada Pela Justiça e Liberdade” - mas que no bolsonarês vira “minha selfie com o mito custe o que custar”. Ele prometeu 240 km de perrengue pela BR-040, sete dias de drama shakespeariano na moda peregrino, em protesto contra aquilo que chama de “arbitrariedades recentes” - leia: cadeia pro clã e decisões do Supremo Tribunal Federal que não agradam à turma.  


O espetáculo começou em Paracatu num cenário meio épico/medioeval: bípede urbano largando tudo para marchar contra o STF. Armas? Um par de tênis e um discurso pronto. Prometeu “luz” e “esperança” - tipo guia turístico de peregrino místico - e espera atrair “cidadãos” no caminho, como porta-bandeiras de um cortejo que parece mais tour político do que protesto com base.  


Gente com senso crítico chamou a parada de encenação e piada; há quem veja mais novela de fim de tarde do que revolução.   O que não falta é ironia: um deputado tropeçando na BR buscando o que muitos consideram uma causa perdida numa caminhada que soa menos “camino de Santiago” e mais “busca pelo like máximo no Instagram”. Enfim, é Brasil 2026 - política virou folhetim e a estrada para Brasília é passarela de vaidades.

Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 

Nicolas Ferreira que grita contra o Estado enquanto usa o Estado como babá armada

   Tem algo de profundamente obsceno nessa “peregrinação patriótica” do Nikolas Ferreira rumo a Brasília - e não é o suor encenado, nem a cara compungida de mártir mirim. É o detalhe que eles escondem atrás da Bíblia e da bandeira: essa romaria está sendo acompanhada e protegida com dinheiro público.

Sim, você leu certo. Enquanto posa de perseguido pelo “sistema”, o deputado caminha escoltado pela Polícia Legislativa da Câmara, paga por todos nós. O coitadismo é privado; a conta é coletiva. O sujeito denuncia “ditadura”, mas anda com segurança institucional garantida, diária, logística, combustível, viatura, servidor público fora de casa, tudo bancado pelo contribuinte que ele chama de parasita quando não vota certo.


É a estética perfeita do bolsonarismo: o rebelde oficial, o insurgente com crachá, o mártir com escolta. O homem que grita contra o Estado enquanto usa o Estado como babá armada. A “caminhada da liberdade” virou passeio monitorado, com proteção paga por quem nunca foi consultado se queria financiar esse teatro.


E repare na ironia final: os mesmos que berram contra gasto público, privilégios e “mamatas” agora acham absolutamente natural transformar a Polícia da Câmara em segurança pessoal de performance política. Não é missão institucional, é palco. Não é risco democrático, é marketing de vitimização com escolta.


No fundo, o espelho é cruel. O bolsonarismo que dizia odiar o sistema hoje só sobrevive dentro dele, sugando seus recursos e fingindo que não vê. Marcham contra Brasília, mas com Brasília no bolso. E ainda chamam isso de sacrifício.


Se isso é perseguição, imagina quando o privilégio acabar.

Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 

Morreu técnico do Águia de Marabá

 

Morreu na quinta-feira (22) o técnico Ronan Tyezer, 44 anos, que estava internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) devido a um trauma craniano no Hospital Regional de Gurupi, em Tocantins,  após o acidente com o ônibus que transportava a equipe sub- 20 do Águia de Marabá que colidiu com um caminhão que estava parado e sem sinalização da BR- 153 na noite de 15 de janeiro.

A equipe retornava ao Pará após jogar com o Juventude, na segunda-feira fase da Copa São Paulo de Futebol Júnior, em Guaratinguetá (SP).

O preparador fisico Helton Alves, de 33 anos, faleceu no local do acidente.


Crédito: Denise Machado/ Blog Ibirataia 



quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Quando um presidente diz " sou um ditador" e parte do público aplaudi o problema já não é mais o Trump

 Trump foi a Davos e resolveu poupar intermediários.

“Eu sou um ditador. Às vezes você precisa de um.”


Não é gafe. Não é piada. Não é frase fora de contexto. É método.


Donald Trump não está flertando com o autoritarismo, está normalizando o vocabulário dele. A palavra “ditador” deixa de ser acusação e vira estilo de liderança. Quando o absurdo vira ironia, o choque moral evapora. E quando evapora, o terreno fica livre.


Isso não é sobre tanques, fechamento do Congresso ou suspensão imediata de eleições. Democracias raramente morrem assim. Elas morrem quando o líder ensina o público a desprezar limites, a tratar freios institucionais como frescura e a confundir arbítrio com eficiência.


Trump não prometeu um golpe. Fez algo mais inteligente e mais perigoso: apresentou o autoritarismo como solução prática, de bom senso, quase administrativa. Um CEO cansado de regras. Um “homem forte” para tempos “difíceis”. Sempre funciona. Até não funcionar mais.


Davos ouviu. O mundo ouviu. Quem finge que foi só bravata está praticando autoengano confortável.


A frase não escandaliza porque Trump exagerou. Escandaliza porque ele falou em voz alta o que muitos preferem cochichar.


E quando um presidente diz “sou um ditador” e parte do público aplaude, o problema já não é mais o Trump.

Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 

Donald Trump não faz balanço de governo faz performance

 Donald Trump resolveu fazer o auto-review do primeiro ano do próprio governo. Spoiler: saiu pior que avaliação de restaurante escrita pelo dono.

Na versão trumpiana dos fatos, o país vive um paraíso: crime caiu, imigração acabou, economia voa, imprensa mente, direitos civis “exageraram” e o racismo… bem, o racismo é sempre dos outros. Ele só “diz verdades duras”. Coincidentemente, sempre duras contra imigrantes, minorias e adversários políticos.


As mentiras vêm no atacado: estatísticas inventadas, números fora de contexto, fatos desmentidos e repetidos, como se insistência virasse prova. No campo racial, o velho repertório: insinuações xenófobas, ataques a parlamentares por origem, religião ou cor da pele, e aquela tese preguiçosa de “discriminação reversa”, que só cola para quem nunca abriu um livro de história ou finge que não abriu.


Quando a realidade atrapalha, entra o modo automático: imprensa inimiga, críticos corruptos, instituições sabotados. Se alguém questiona, é perseguição. Se alguém apura, é complô. Se alguém discorda, é antiamericano. Democracia, para ele, funciona desde que concorde.


O mais impressionante não é o exagero, é a coerência. Tudo se encaixa: mentira factual, injúria velada (às vezes nem tão velada), e um teatro permanente de vitimização narcísica. Governa como quem posta: alto, raso e agressivo. A diferença é que agora o estrago não fica só no feed.


Trump não faz balanço de governo, faz performance. E o problema nunca foi o roteiro; sempre foi o público que acredita que isso é liderança, e não stand-up autoritário mal ensaiado

Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 



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Não é sobre direita ou esquerda é sobre democracia com freios versus democracia corroída por dentro

 Eles juram que é exagero. Que é “liberdade de expressão”. Que são “casos isolados”.



Pois bem: 37 neonazis presos em Portugal. Armas. Planeamento. Ideologia de ódio. Preparação para violência urbana. Nada metafórico. Nada virtual.


O nome do grupo é 1143, referência nacionalista reciclada para justificar racismo, culto à força e sonho de milícia. Não eram só trolls de internet nem bêbados de claque. Havia militar, polícia, reincidentes e gente a operar de dentro da prisão. O Estado interveio porque o risco era real.


Agora a parte que incomoda: há militantes e candidatos do Chega entre os detidos. E isso não cai do céu. Extremismo não cresce no vácuo; cresce quando encontra ambiente político tolerante, discurso que normaliza o ódio e líderes que fingem não ver.


Em plena eleição presidencial, o líder do partido - André Ventura - responde como sempre: relativiza, irrita-se, diz que “qualquer um pode ser militante” e que voto é voto. É a política da omissão útil: não organiza o extremismo, mas lucre com ele.


Não é sobre direita ou esquerda. É sobre democracia com freios versus democracia corroída por dentro. Quando partidos fecham os olhos para neonazis porque “dão apoio”, o problema já não é policial, é político.


Portugal aprendeu a tempo. Interveio antes que as palavras virassem tiros. A pergunta agora é simples e brutal: quem lucra com o ódio tem coragem de condená-lo sem “mas”?


O resto é desculpa. E desculpa, em matéria de fascismo, sempre chega atrasada.


Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 

Jesus carregou a cruz eles carregam o celular 5G e o drama calibrado

 Eu estou absolutamente comovida com o Nikolas Ferreira, nosso pequeno Moisés de TikTok, liderando aquela multidão suada pela BR como se estivesse abrindo o Mar Vermelho com um stories patrocinado. Um menino tão frágil, tão perseguido, tão oprimido… deputado federal, microfone aberto, milhões de seguidores, mas claramente vítima do sistema. Dá vontade de carregar no colo.

E atrás dele, claro, vem o Carlos Bolsonaro, o São Carlos do X, padroeiro das frases truncadas e das teorias que só fazem sentido depois da terceira oração e do quinto grupo de WhatsApp. Um homem que não anda: ele desconfia do chão. Cada passo é um complô. Cada poste é comunista. Cada pedágio é culpa do STF.


A cena é linda. Homens adultos, eleitos, assessorados, filmados por três ângulos, fazendo cara de sofrimento épico porque estão… caminhando. Andando. Com tênis caro, mochila estratégica e pausa pra selfie. Isso sim é martírio cristão. Jesus carregou a cruz; eles carregam o celular com 5G e o drama calibrado.


Eu defendo com unhas e dentes essa peregrinação. Defendo tanto que faço questão de dizer: nada representa melhor o bolsonarismo do que isso. Gente que passou anos dizendo que pobre não quer trabalhar agora transformando caminhada em evento histórico. Gente que gritava “bandido bom é bandido morto” agora pedindo anistia com voz embargada. Gente que chamava professor de vagabundo agora descobrindo que 200 km cansam.


E o Nikolas lá na frente, posando de líder espiritual, mas sempre olhando pra trás pra ver se estão filmando direito. Porque fé sem engajamento não salva ninguém. Patriota que não vira reel não entra no Reino dos Céus.


Eu olho pra eles e penso: é isso. É exatamente isso. Não precisa de charge, não precisa de oposição, não precisa de ironia externa. O bolsonarismo, quando se leva a sério demais, vira sua própria caricatura. E eles estão andando - quilômetros e quilômetros - direto pra dentro do espelho.


Sigam firmes, meus patriotas. Continuem. Cada passo ajuda o Brasil a entender.


Crédito: Escritor e Advogado Julio Benchimol Pinto 

quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Narciso

 

 


Eu, que em mim já não ando,

Vivo porque me foi o tempo;

Mas, depois, por sentimento,

Hei de chegar, não sei quando.


Cá me estão os olhos lassos,

Que turvam o que não veem;

Longe vão, não chegam além,

Voltam-se aos meus braços.


Tremulam as pálpebras nuas,

Como se estivessem com frio,

E duas gotas deslizam na face.


Ainda me faltam algumas luas,

Mas não me sejam mais de mil,

E eu volte a mim e me abrace.


Crédito: Escritor Achel Tinoco

#Narciso 

#poesía

Morre o Fundador da Gol Linhas Aéreas

           Foto/  Gol Linhas Aéreas. Morreu no sábado (24), Constantino Oliveira Junior, aos 57 anos, o fundador e presidente do Conselho de...