O Fazedor de Farinha

 

Às costas, um panacum,

uma carga de mandioca

para a farinha de tapioca,

e alimentar o filho Dum.


Tropeça, derruba a carga.

Revolta-se com o chapéu,

tira-o da cabeça, ver o céu

com expressão amarga.


Precisa se erguer. Meu Deus!

A mulher o espera; até chora.

Tomara que não perca a hora:

tem um filho que nem é seu.


Alguns passos, ele chega.

O corpo moído, reclama.

A mulher diz que o ama,

chega perto e se esfrega.


A noite enturva, espreita.

O candeeiro faz fumaça.

Um aviso, alguém passa:

vai deitar com sua preta.


De repente, amanhece.

Nem deu tempo de sonhar.

Volta à labuta, deixa o lar:

a vida, o amor e a prece.


#FARINHA

#tapioca

#roça

#poesia

       Achel Tinoco

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