A Civilização Do "Cidadão de Bem"

 

Em Copacabana, um idoso de 69 anos relata ter sido atacado na porta de casa por um grupo que misturou agressão, ofensa política, intolerância religiosa e grito bolsonarista.


A Polícia Civil investiga. As câmeras do prédio podem falar mais do que muito patriota de internet com CPF de covarde.


Mas o enredo é conhecido: primeiro sequestraram a camisa da seleção, depois a bandeira, depois Deus, depois a família, depois a moral. Agora tentam sequestrar até o direito de um idoso voltar para casa com um adesivo político na bolsa.


É a extrema direita em seu estado mais puro: braveza de bando, coragem de esquina, cristianismo de tacape e patriotismo com bafo de milícia.


E antes que apareça o jurista de zap: sim, há presunção de inocência, mas não há presunção de ingenuidade.


Quando alguém bate em idoso, arranca símbolo religioso e grita senha política, não estamos diante de “divergência de opinião”, mas da pedagogia do ódio fazendo estágio probatório no meio da rua.


Bolsonarismo nunca foi apenas voto; é método, linguagem e autorização moral para ressentido virar carrasco de ocasião.


       Julio Benchimol Pinto

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