Banco Master:A Captura Em Débito Automático
O escândalo do Banco Master não cabe na foto de um banqueiro, na biografia de um senador nem na espuma oportunista de Flávio Bolsonaro.
É maior. É a radiografia de uma República capturada por instrumentos limpos demais para parecerem crime à primeira vista: contrato, parecer, consignado, fundo, banco público, previdência, emenda, gabinete, lobby, silêncio.
Vorcaro não assaltou o Estado pela janela, mas pela porta giratória.
O Credcesta foi o térreo da máquina: servidor, aposentado e pensionista transformados em fluxo permanente de caixa. O salário entrava; a mordida já esperava na folha.
Depois vieram os andares de cima: ativos suspeitos, FGC, BRB, Rioprevidência, fundos, operadores, políticos, relações perigosamente úteis.
O escândalo não é apenas o banco quebrar, mas o banco quebrar depois de ter convertido proteção pública em seguro privado, vulnerabilidade social em lucro financeiro e influência política em tecnologia de sobrevivência.
Nesse quadro, Jaques Wagner não é detalhe irrelevante, mas autoridade pública sob grave suspeita. Apartamento milionário, voos privados, dinheiro em espécie, camarote, empresa familiar e interlocução com interesses do Master exigem explicação documental, não simplesmente nota indignada.
Mas Flávio Bolsonaro também não vira procurador-geral da República por conveniência eleitoral. Quem viveu abraçado ao submundo não ganha toga moral porque apareceu um petista no inquérito.
A régua é uma só: que se investigue Wagner, que se investigue Flávio Bolsonaro, que se investigue Vorcaro, que se investigue tudo: BRB, FGC, Rioprevidência, gabinetes, operadores, fundos e todos os que ajudaram a transformar um banco frágil numa bomba institucional.
O Banco Master talvez seja o maior escândalo bancário-político do Brasil recente porque mostra algo mais grave que corrupção avulsa: mostra um sistema em que o prejuízo desce para o contracheque, o risco sobe para o Estado e o lucro pousa de jatinho.
Não é só um banco; é também - e sobretudo - um método de captura da República.
Julio Benchimol Pinto



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