Corrupção, Golpe E Falsa Equivalência

 

O escândalo do Banco Master chegou ao entorno de Lula. Sem passar pano: se houve corrupção, tráfico de influência, dinheiro indevido ou banqueiro comprando amizade política, que se investigue, denuncie, julgue e puna, inclusive se for perto de Lula - aliás, principalmente se for perto de Lula.


Defender voto em Lula não me transforma em segurança particular de aliado enrolado. Não assinei fidelidade a Jaques Wagner, PT, ministro, senador, banco ou banqueiro. O Master precisa ser devassado, o dinheiro precisa ser rastreado e quem tiver culpa que pague - de vermelho, azul, verde-amarelo ou cinza Banco Central.


Mas é aqui que entra a fraude favorita do bolsonarismo: a falsa equivalência.


Corrupção corrói a República, mas golpismo tenta demolir a República inteira - inclusive os mecanismos que investigam corrupção. Uma coisa é governo ter aliado suspeito; outra é transformar derrota em conspiração, atacar urna, acampar em quartel, pedir intervenção e posar de perseguido. Não são pecados iguais.


O caso Master não derruba minha régua democrática, mas a reforça: precisamos de PF funcionando, imprensa livre, Judiciário vigiado, Congresso pressionado e eleitor sem coleira. O Brasil não precisa escolher entre corrupção e golpe; precisa combater corrupção sem entregar o país aos golpistas.


Meu voto em Lula, se o confronto for com o espólio Bolsonaro, não absolve ninguém; é escolha de terreno: prefiro investigar escândalo dentro da democracia a entregar a chave da República a quem tentou arrombar a porta quando perdeu. Roubo se apura; golpe se barra. E banqueiro amigo de político nunca foi ideologia; é só o velho Brasil de gravata procurando caixa eletrônico dentro do Estado.

Julio Benchimol Pinto

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