Em 2026, diante das duas opções viaves, vou votar em Lula

 Não é paixão; é triagem de emergência.

Em 2026, diante das duas opções viáveis, vou votar em Lula.


Não porque eu seja lulista, não porque ache Lula infalível, não porque tenha perdido o senso crítico e aderido a uma procissão de camisa vermelha, pandeiro e amnésia seletiva.


Vou votar em Lula porque eleição presidencial não é terapia de casal: não exige amor; exige juízo.


De um lado, há um governo com defeitos reais: concessões demais ao Centrão, erros de comunicação, escolhas discutíveis, frases que às vezes parecem sair de uma assessoria inimiga.


Do outro lado, há um campo político que atacou urnas, estimulou paranoia institucional, flertou com quartel, tentou melar o jogo democrático e depois ainda pediu recibo de vítima.


Não são dois “exageros equivalentes”, não são dois polos igualmente perigosos, não são duas torcidas brigando no bar.


Uma coisa é discordar de Lula; outra é normalizar quem tratou a democracia como obstáculo pessoal.


Votar em Lula, para mim, não será cheque em branco; será voto com recibo, lupa e pé atrás.


Mas, entre um presidente que deve ser cobrado dentro da Constituição e um projeto político que já tentou dobrar a Constituição no joelho, minha escolha está feita.


Não estou escolhendo santo; estou escolhendo regime.


E, convenhamos, depois do que vimos, fingir neutralidade já não é independência; é miopia.

    Julio Benchimol Pinto

Comentários

Postagens mais visitadas