Cláudio Castro Viu Sua Candidatura ao Senado Desabar
Cláudio Castro saiu do governo do Rio, viu sua candidatura ao Senado desabar depois de operações da PF, virou peso morto eleitoral para o bolsonarismo e, como prêmio de consolação, acertou salário de R$ 38 mil no PL.
É a nova meritocracia da extrema direita brasileira: fracassou, foi chamuscado, atrapalhou a campanha, perdeu serventia pública, ganhou crachá partidário.
O partido que passou anos gritando contra “mamata” agora parece uma agência de recolocação para aliados carbonizados. O sujeito sai da vitrine, entra no porão e continua na folha. Não na folha do povo diretamente, dirão os puristas. Mas o PL é abastecido por dinheiro público, via Fundo Partidário, Fundo Eleitoral e toda essa engenharia nacional de financiamento da política. O contribuinte paga a conta; o moralista de palanque escolhe os comensais.
E não estamos falando de um caso isolado. O bolsonarismo virou uma espécie de abrigo institucional para investigado, condenado, operador, assessor, patriota profissional, financiador estranho e náufrago de escândalo. Quando a PF bate à porta, o discurso muda: deixa de ser “bandido bom é bandido morto” e vira “companheiro perseguido pelo sistema”.
Com Castro, a cena é quase didática. Primeiro, o desgaste. Depois, a desistência do Senado. Em seguida, o salário no partido. E, para completar o figurino, a abertura do escritório de advocacia. A biografia política entra em modo defesa, com holerite e CNPJ.
O PL, que se vende como trincheira da moralidade, vai se parecendo cada vez mais com um condomínio fechado da sobrevivência judicial. Por fora, bandeira do Brasil; por dentro, folha de pagamento, advogado, inquérito e oração para a busca e apreensão cair em dia de feriado.
A velha “nova política” envelheceu mal, muito mal. Hoje parece isto: um covil com CNPJ, sustentado por dinheiro público e perfumado com discurso anticorrupção.
A diferença entre o sermão e o extrato bancário é que o extrato não finge santidade.
Julio Benchimol Pinto



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