A Delação Que Ainda Não Deletou, Mas Já Fez Brasilia Suar



Segundo a Veja, Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, teria dito em proposta de delação que Davi Alcolumbre recebeu US$ 30 milhões - algo acima de R$ 150 milhões - numa conta no exterior.

Alcolumbre nega tudo: diz que é falso, que vai processar. Brasília, como sempre, descobriu a inocência antes da prova e a indignação antes do extrato.


Mas há um detalhe menos teatral e mais concreto: o fundo de previdência dos servidores do Amapá aplicou R$ 400 milhões no Banco Master. Quatrocentos milhões. Dinheiro de aposentadoria, dinheiro público, dinheiro de gente que trabalhou a vida inteira para não virar figurante em filme de banqueiro esperto.


A PF já investiga essa aplicação. E aqui começa o samba da governança: quem autorizou? Com que parecer? Com que alerta? Com que apetite por risco? Ou com que apetite, ponto?


A delação de Vorcaro foi pela segunda vez rejeitada pela PF por falta de elementos robustos. Traduzindo do juridiquês: ele chegou vendendo mapa do tesouro, mas ainda não mostrou onde enterrou o baú.


Então, calma: delação não é sentença, manchete não é prova, réu acuado não vira profeta só porque resolveu falar.


Mas também não sejamos idiotas profissionais: quando um banqueiro quebrado, um fundo público, R$ 400 milhões de previdência e o presidente do Senado aparecem na mesma frase, não estamos diante de fofoca de elevador, mas sim de um incêndio institucional procurando perícia.


A pergunta é simples: houve corrupção ou apenas a velha coincidência brasileira, essa entidade mística que sempre favorece os mesmos?


Por ora, a fumaça é densa. O fogo já existe em algumas salas. Falta saber quem acendeu o fósforo e quem estava sentado à mesa contando os milhões.

   Julio Benchimol Pinto

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