O Clã Que Queria Governar o Brasil Agora Não Conseque organizar Nem o Almoço de Domingo
Chamaram de “troca de farpas”. Farpas? Aquilo foi um culto de exorcismo transmitido em capítulos
Michelle gravou quase meia hora dizendo que Flávio a desrespeitou, maltratou, apunhalou e ainda quis mandá-la para o cercadinho das figurantes: “você chegou ontem, não entende de política”.
Erro primário. Michelle pode até ter chegado ontem ao comando formal do PL, mas no bolsonarismo evangélico ela chegou de Bíblia na mão, voto na bolsa e faca afiada no púlpito.
Flávio, acuado, respondeu como estadista de várzea: falou de futebol. “Hoje é dia de jogo. Nada me aborrece.”
Claro, quando a madrasta grava 27 minutos chamando você de ingrato político, o melhor é vestir a camisa da Seleção e fingir que está tudo dominado.
O problema é que a bola já furou. No Ceará, a família rachou entre Ciro, Girão, Priscila, Alcides, André, Michelle, Flávio e sabe-se lá mais quantos santos, cabos eleitorais e operadores do milagre da multiplicação de palanques.
O clã que queria governar o Brasil agora não consegue organizar nem o almoço de domingo. Michelle descobriu que não quer ser “primeira-dama decorativa”. Flávio descobriu que candidatura herdada também vem com inventário litigioso. E Bolsonaro, lá do seu trono de tornozeleira moral, assiste à própria sucessão virar briga de condomínio, só que com menos ata e mais facada retórica.
A direita brasileira prometeu ordem, família e patriotismo. Entregou DR pública, puxadinho eleitoral e vídeo de madrasta chamando enteado para o juízo final.
Pipoca, irmãos. A campanha nem começou, e o velório político já tem disputa pelo microfone.
Julio Benchimol Pinto




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